sábado, julho 8

“Gaymada” mistura esporte e ativismo LGBT

Durante meses, a foto de Igor Luís, de 22 anos, esteve na opção “tenho interesse” dos eventos criados no Facebook pelo Gaymada São Paulo. Foi somente em janeiro, contudo, que finalmente vestiu seu maiô, saiu de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, e seguiu até o Largo da Batata, em Pinheiros, na zona oeste da cidade.

Acompanhado de um amigo, ele se surpreendeu positivamente com o que encontrou: jovens gays, lésbicas e bissexuais conversando e praticando uma brincadeira típica da infância, a queimada. “Foi uma das vezes em que mais me senti à vontade em um lugar”, comenta ele que, por utilizar roupas que expõem o corpo, como short, costuma sofrer preconceito e assédio – o que não se repetiu naquele dia. “Sempre que alguém de fora tentou me zoar, outros me defenderam. Achei isso tão bonito: não era obrigação de ninguém fazer isso”, relata.

Uma mistura de esporte e ativismo, a Gaymada São Paulo comemorou no sábado (1) um ano. A proposta, segundo seu criador, o jornalista Lucas Galdino, de 22 anos, é ser uma brincadeira que, embora leve, ajude a quebrar preconceitos e ocupar espaços que, costumeiramente, não são abertos a LGBTs. “Somos associados à noite, a baladas e locais marginalizados. Por muito tempo foi apenas nesses ambientes que não precisávamos nos esconder.” Por isso, considera o evento um “ponto fora da curva”, que coloca gays, lésbicas, bissexuais e transexuais com “a cara no sol”.

Como observa Galdino, a escolha de um esporte simples, sem regras complexas, facilita a participação. “Também tocamos música, deixamos disponível bola de futebol e é comum que participantes levem bambolês e cordas”, ressalta. Além disso, são realizadas campanhas para angariar doações e, em janeiro, foi firmada uma parceria com o Programa DST/Aids da Prefeitura para distribuição de preservativos e realização de exames.

O evento paulistano é inspirado na performance Campeonato Interdrag de Gaymada, realizada há dois anos pelo coletivo de atores Toda Deseo, de Belo Horizonte. “Primeiro tem a apresentação da juíza, o desfile das bandeiras, uma coreografia, o hino. Depois vem o jogo, e gente de fora também participa”, diz o ator David Maurity.

A prática da queimada por grupos LGBTs ocorre em todas as regiões do País, especialmente no Norte e no Nordeste. Foi no Recife que surgiu um dos registros mais antigos: o Grupo Gaymado criado há 12 anos no bairro da Várzea, na periferia. Segundo um dos criadores, Glauber Stringlini, de 35 anos, o evento cresceu após casos de homofobia e hoje abarca atividades de conscientização. “Virou uma estratégia de mobilização. Foi um elemento de mudança no bairro. Graças a essa luta, LGBTs mais novos não sofrem tanto preconceito quanto a gente.”

Por Agência Estado

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